A vida é cíclica

“Quando nos sintonizamos com a vida, optamos por nos sincronizar com a vida toda, não apenas com as partes que nos agradam ou com que nos sentimos confortáveis – ou quando tudo nos corre com feição.

Sintonizarmo-nos com a vida significa termos a perfeita consciência e aceitarmos que o envelhecimento, a morte, a doença, as catástrofes naturais, os acidentes, as loucuras dos humanos podem alterar o nosso rumo.

Sintonizar-se com a vida implica compreender que não podemos controlar os ciclos da Natureza.”

-Heather Ash Amara

No final de 2014, eu estava no segundo puerpério num intervalo de 16meses e passando por uma grande crise existencial.

Eu tinha duas bebes lindas, saudáveis,perfeitas e um marido que me ajudava em absolutamente tudo.

Eu  tinha todos os motivos para me sentir a mulher mais abençoada da face da terra.

Só que infelizmente não era isso que o meu coração sentia.

Eu me sentia completamente sózinha, infeliz e facilmente me irritava com minhas filhas e meu marido.

Eu estava completamente esgotada pelas noites mal dormidas, me sentia muito frustrada por não dar conta de fazer tudo, por não ter tempo para mim mesma.

Às vezes eu sentia vontade de sair correndo, gritando desesperadamente sem rumo… para longe de tudo aquilo que estava a me sufocar.

Eu só queria ter uns minutos de silêncio por dia, poder tomar um banho sem pressa, poder lavar meu cabelo com calma….ter um tempo para meu marido. Mas como????

Cheguei a imaginar como seria minha vida se estivesse no Brasil. De como seria mais fácil ultrapassar os desafios da maternidade se estivesse perto da minha família, dos meus amigos.

Pela primeira vez, senti muita falta da minha mãe.

Eu estava me sentindo no fundo do poço. À beira de uma depressão. Me isolando de mim mesma e da minha relação com o meu marido. Nós tínhamos opiniões diferentes em relação aos cuidados com as nossas filhas, nossas brigas passaram a ser mais e mais frequentes. Eu tentava ter tudo sob controle, mas não conseguia, muito pelo contrário eu só via como tudo estava a desviar dos trilhos da vida. E achava que somente eu passava por todas aquelas dificuldades.

Me lembro até hoje do dia em que tudo começou a mudar.

Eu tinha tido um dia muito difícil, estava me sentindo emocionalmente esgotada, fui colocar minhas filhas para dormir e quando elas adormeceram, fui inundada por aquele amor que toda mãe sente ao ver seus pequenos dormirem.

Então de repente ouvi dentro de mim a pergunta: Que mãe você quer ser para as suas filhas?

 Esta pergunta tocou tão profundamente o meu coração. Pela primeira vez percebi que minhas filhas não mereciam ter uma mãe ausente emocionalmente e desconectada de si mesma. Aquela vida eu não tinha sonhado para mim, nem para a minha família.

Bert Hellinger diz :

“Quando uma mulher decide curar-se,
ela se transforma em uma obra de amor e compaixão,
já que não se torna saudável somente a si própria,
mas também a toda a sua linhagem.”

 Me lembro até hoje que pedi a Deus, que me ajudasse a sair daquele sofrimento interior que eu estava sentindo e me mostrasse o caminho a seguir e entreguei a Ele todas aquelas dores para que fossem curadas. Pedi ajuda para me tornar a mãe que Ele havia idealizado para mim. 

E decidi, que por amor às minhas filhas eu faria tudo o que estivesse ao meu alcance para transformar a minha vida e o mundo em que as minhas filhas cresceriam.

Nunca desistir!

Foram muitos os ciclos que tive que iniciar e encerrar. Todos eles me ajudaram a mergulhar na minha história e transformar o meu mundo interior.

Antes de 2006 eu não imaginava que um dia moraria fora do Brasil;

Em 2014 eu não acreditava que conseguiria  me sentir em casa, feliz e realizar meus sonhos morando no exterior;

Antes de 2018 eu não imaginava que iria celebrar os meus 40 anos de vida, cercada de amigos tchecos,  transbordando de gratidão por tudo o que apreendi durante estes 13 anos na República Tcheca.

Que iria finalmente me sentir enraizada e pertencente a este país.

E por todas as oportunidades que a vida têm me dado para que eu possa realizar meus sonhos e faça o que eu realmente amo.

Que em 2019 todas nós estejamos comprometidas com os nossos sonhos e sigamos alinhadas com os nossos corações!

A vida agradece 🙂

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A árvore da vida

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Por todo o mundo, as pessoas desligaram-se da sua árvore genealógica. Estão desenraizadas há tanto tempo que se esqueceram do que significa estar ligado aos antepassados. E quando estamos desligados da nossa árvore genealógica, estamos desligados da árvore genealógica da humanidade.

-Mandaza Augustine Kandemwa,

Curandeira tradicional

Somos  a misturinha perfeita resultante da união dos nossos pais.

Somos  50% nossa mãe e 50% nosso pai.

Eles também são 50% de seus pais, e assim por diante.

A nossa herança genética, vai muito além das nossas características físicas. Os nossos genes, guardam tudo aquilo que somos e tudo aquilo que foram aqueles que vieram antes de nós.

Dos nossos antepassados herdamos nossos dons e talentos, nossas preferências, nossos hábitos, nossa criatividade.

Não é lindo isso?

Tudo está a nossa disposição e basta um olhar, um pensamento, um desejo genuíno para que possamos acessar todos os nossos recursos internos.

Então, por que é que  às vezes nos sentimos vazias, cansadas de remar contra a maré, perdidas e desmotivadas?

Por que é que não conseguimos realizar nossos sonhos, sermos nós mesmas e fluir na vida?

É porque em nossos genes, também ficam armazenadas as nossas mesmórias ancestrais. As histórias traumáticas que foram vividas em nossa família  nos foram transmitidas, mesmo que eu não tenha conhecimento.

A história ancestral negativa pode ser um impedimento ou um bloqueio para alcançarmos tudo o que almejamos, se estivermos mesmo que inconcientemente apegados a elas. Enquanto isto na sombra, repousam histórias positivas e de sucesso, que nos podem ser úteis, desde que as reconheçamos e conectemos a elas.

Quando nos conectamos aos nossos antepassados, recuperamos a nossa identidade, redescobrimos os nossos dons e clareamos o nosso caminho. Quando todos eles possuem o seu lugar dentro do nosso coração, não nos sentimos sózinhas… nada nos falta… ficamos plenas, conectadas com a nossa força e nos sentimos parte de algo grandioso.

Nossa maior riqueza é estar em paz com a nossa história.

Este é o nosso verdadeiro legado: encontrar o nosso lugar, pertencer à uma comunidade, enriquecer nossa nossa relação conosco e com as pessoas que encontramos.

E sermos aquilo que viemos para ser. ..

Instrumento de cura e transformação onde quer que estejamos.

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